O fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é caracterizado por anomalias, positivas (El Niño) ou negativas (La Niña), de temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico equatorial, e sua caracterização é feita através de índices, como o Índice de Oscilação Sul (IOS – calculado através da diferença de pressão entre duas regiões distintas: Taiti e Darwin) e os índices nomeados Niño [(Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4), que nada mais são do que as anomalias de TSM médias em diferentes regiões do Pacífico equatorial].

            O índice Nino 3.4 que determina a ocorrência dos episódios El Niño e La Niña indicava a ocorrência de um fenômeno La Niña entre o trimestre setembro-outubro-novembro de 2017 e fevereiro-março-abril de 2018. O índice Niño 1+2 mostrava fortes anomalias negativas de TSM, desde setembro de 2017, mas é importante ressaltar que essa região causa pouca ou nenhuma influência sobre o Brasil (Inpe).

         As previsões da anomalia da TSM para Julho, Agosto e Setembro de 2018 (JAS/2018) dos modelos numéricos de previsão climática analisados durante a reunião do GT de previsão climática indicaram que as águas sobre o Pacífico Equatorial devem ficar mais quentes que a normal, indicando o possível início de um fenômeno El Niño.  A previsão da ocorrência de ENOS realizada pelo IRI/CPC no início de junho apontou que a maior probabilidade (55%) é de que o próximo trimestre (JAS) tenha uma situação de neutralidade. Porém para os trimestres seguintes (Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro) há uma indicação de ocorrência de um fenômeno El Niño, mas ainda é necessário acompanhar a evolução dessa previsão (CPTEC/INPE, 2018).

        De acordo com informações da agência de notícias Bloomberg, o fenômeno climático  costuma causar impactos consideráveis nos mercados financeiros e de commodities.

           Em 2015, um grande evento de El Niño prejudicou as produções de cacau, chá e café em toda a Ásia e África, além de favorecer incêndios florestais em Singapura e inaugurou o inverno mais quente já registrado nos Estados Unidos, sufocando a demanda de gás natural no país.

               Figura 1) Os impactos climáticos normalmente associados a um El Niño durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro no mundo.

Créditos: Climatempo

               Figura 2) Gráfico mostrando que os Agricultores devem ter Atenção para a alta probablidade de ocorrência do EL Nino no verão de 2018.

             Uma pesquisa de impacto do El Niño do INPE, apontou que a ocorrência de tempestades na região Sudeste no verão deve ser 20% maior em relação aos anos anteriores. O auge dos temporais deve ocorrer na primeira quinzena de fevereiro.

“O estudo verificou quando ocorre o evento El Niño muito intenso, os efeitos do aumento das tempestades não ficam restritos à região Sul, e se estende ao Sudeste e ao Mato Grosso do Sul”, explicou o coordenador do Elat/Inpe, Osmar Pinto Junior. A causa das tempestades – chuvas de forte intensidade e de curta duração – é uma combinação de temperaturas mais altas, circulação atmosférica que mais sistemas frontais que chegam à Região Sudeste.

      O professor da USP e Uninove, e especialista em recursos hídricos, Pedro Luiz Côrtes, também garante que o fenômeno tem um efeito nas chuvas na capital São Paulo. “Apesar de existir uma relutância de admitir o impacto do El Niño no clima na Grande São Paulo, existe sim uma relação do aumento da chuva e períodos mais nublados” Fonte: G1 2015

        Em alguns locais do planeta, o El Niño é benéfico e em outros não. Em anos de El Niño, o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que sofre com secas e escassez de água, é beneficiado com mais chuva. No Brasil, em anos de El Niño, o Nordeste sofre mais com a seca. (Figura 1)

          O ano de 2018 começou com uma La Niña fraca e poderá terminar em uma situação oposta, com um El Niño. Esta é até relativamente alta, pelo relatório mais recente sobre o ENSO (El Niño/Southern Oscillation, na sigla em inglês), divulgado  julho de 2018 pelo CPC, NCEP e NOAA-NWS (*), dos Estados Unidos, principais centros de pesquisa científica que monitoram fenômenos como El Niño e La Niña e o clima global.

Status do El Niño em julho de 2018 (Figura 2)

O resumo do relatório diz:

ENSO Alert System Status: El Niño Watch

(Status de ENSO: El Niño Atenção)

ENSO-neutral conditions are present.*

(situação atual é de ENSO neutro)

Equatorial sea surface temperatures (SSTs) are near-to-above average across most of the Pacific Ocean.

(temperatura superficial da água do mar  está próxima da média na maior parte do oceano Pacífico)

ENSO-neutral is favored through Northern Hemisphere summer 2018, with the chance for El Niño increasing to about 65% during fall, and to about 70% during winter 2018-19

(situação de neutralidade durante o verão (inverno) de 2018 no Hemisfério Norte (Sul), com 65% de chance de um El Niño no outono (primavera) e aumentando para 70% de chance no inverno (verão) 2018/2019).

    Para os centros de pesquisas atmosféricas norte-americanos e também para o Bureau of Meteorology do governo da Austrália, país que tem profundas mudanças no seu clima com El Niño e La Niña,  o planeta entrou em “El Niño Watch” em julho de 2018. Isto quer dizer: atenção, um El Niño poderá surgir.

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